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Sexta-Feira, 01/08/2014

Burocracia e morosidade limitam avanço da irrigação no Brasil

Burocracia e morosidade limitam avanço da irrigação no Brasil

Em tempos de crescente instabilidade climática e aumento na demanda mundial por alimentos, depositar todas as esperanças nas bênçãos de São Pedro tende a não ser a garantia de salvação da lavoura.

Para equilibrar o déficit de chuvas em anos de baixa precipitação, a única estratégia encontrada até o momento tem sido a adoção da irrigação, uma tecnologia que possibilita ampliar a produtividade de grãos, fibras e proteína animal de forma significativa.

Siegfried Kwast, diretor superintendente comercial da Fockink, empresa de detém cerca de 25% do mercado brasileiro de equipamentos de irrigação, revela que através desta tecnologia é possível atingir produtividades de 250 sacas de milho por hectare, 100 sacas de soja/ha e 60 sacas de feijão/ha. Isso, sem levar em conta que em estados do Centro-Oeste e Nordeste, em função do clima quente, a irrigação possibilita fazer até três safras por ano na mesma área, como já ocorre em regiões do Mato Grosso e no oeste baiano. “Em pastagens irrigadas, é possível atingir uma lotação de até 12 bovinos por hectare, muito acima do registrado na maioria das regiões criadoras, sendo que a média nacional não chega a uma cabeça”, destaca.

De acordo com a Fockink, o custo de instalação de um sistema de irrigação depende de vários fatores, como declividades, distâncias entre a captação e a área a ser irrigada e o tamanho do pivô – quanto maior, menor o custo por hectare. “Podemos considerar uma média em torno de R$ 7,5 mil por hectare, com um prazo de amortização que normalmente leva entre três e cinco anos”, explica Kwast.

Hoje, o produtor que deseja investir na irrigação tem a seu alcance linhas de crédito como o Moderinfra e o PSI, com juros fixos que vão de 4% a 4,5% ao ano e prazo total de pagamento entre 10 e 12 anos, sendo três de carência. “Em alguns estados, como no Rio Grande do Sul e São Paulo há estímulos financeiros, como subvenções nas parcelas ou nos juros, tornando mais atrativo o investimento”, diz Kwast, comentando que, 2013 foi um ano recorde em vendas, triplicando as médias atingidas entre 2008 a 2011.

Entretanto, embora os inúmeros benéficos socioeconômicos resultantes da irrigação na produção de grãos, fibras, carne e leite, além da fruticultura, como o Vale do São Francisco, que se consolidou como um importante produtor de frutas graças à irrigação, o avanço da tecnologia ainda enfrenta entraves que nem mesmo reza dá jeito, como a morosidade e a burocracia dos órgãos públicos e o déficit em infraestrutura. “Estimamos uma redução entre 15% e 20% nas vendas em 2014 na comparação com 2013, tendo em vista o contingenciamento de recursos no BNDES, e, em alguns estados, a morosidade nas liberações de licenças ambientais e a insuficiência de cargas de energia elétrica”, aponta Kwast.

Segundo ele, os grandes desafios para alavancar a irrigação no Brasil passam por uma política de reservação de água, flexibilização nas licenças ambientais, investimentos em subestações de energia, linhas de transmissão e distribuição. “Precisamos também de um plano plurianual de crédito”, aponta o dirigente da Fockink.

Fonte: UniversoAgro: http://www.uagro.com.br/editorias/agricultura/2014/07/31/burocracia-e-morosidade-limitam-avanco-da-irrigacao-no-brasil.html

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